Na modalidade padrão do FGTS (saque-rescisão), o dinheiro só sai em situações específicas — demissão sem justa causa, compra da casa própria, aposentadoria. O saque-aniversário troca parte dessa proteção por liquidez: um saque por ano, no mês do aniversário, calculado por faixas — quanto maior o saldo, menor o percentual (de 50% a 5%, com parcelas adicionais). A adesão é pelo app FGTS e vale para todas as suas contas, ativas e inativas.
O ponto que define a escolha não é o saque — é o que acontece numa demissão sem justa causa. No saque-aniversário você recebe apenas a multa de 40%; o saldo fica preso, pingando nos saques anuais. Para quem seria demitido com R$ 20 mil de saldo, é a diferença entre receber R$ 28 mil na rescisão ou R$ 8 mil. E a volta para o saque-rescisão tem carência de 25 meses — não dá para trocar de modalidade quando a demissão já está no horizonte.
- Estabilidade alta (servidor CLT de longa data, baixo risco de demissão): o custo da trava cai e a liquidez anual vira vantagem;
- Disciplina de investidor: sacar e aplicar em algo que rende mais que TR + 3% pode compensar a longo prazo — desde que o dinheiro seja investido de verdade;
- Dívidas caras: usar o saque anual para quitar rotativo ou cheque especial quase sempre ganha de qualquer rendimento.
No sentido oposto: contrato instável, setor em crise ou plano de usar o FGTS integral numa rescisão próxima pesam fortemente contra. E cuidado com a antecipação bancária do saque-aniversário — juros de 1,3% a 2% ao mês sobre anos de saques futuros transformam liquidez em dívida.
Três números para decidir com clareza: o saque do ano pela faixa do seu saldo; o cenário de demissão nas duas modalidades; e a projeção ano a ano comparando o patrimônio total (sacado + em conta) das duas escolhas. Se a dúvida é o que você receberia ao sair do emprego, complete a conta com a Calculadora de Rescisão e o Seguro-Desemprego.
O que é o saque-aniversário do FGTS? ⌄
É a modalidade opcional criada em 2019 que libera um saque por ano, no mês do seu aniversário, de um percentual do saldo do FGTS (de 5% a 50%, mais uma parcela adicional, conforme a faixa). Em troca, você abre mão de sacar o saldo integral se for demitido sem justa causa — recebe apenas a multa de 40%.
Quanto posso sacar por ano? ⌄
Depende do saldo total das suas contas do FGTS: até R$ 500, saca 50%; de R$ 500 a R$ 1.000, 40% + R$ 50; até R$ 5.000, 30% + R$ 150; até R$ 10.000, 20% + R$ 650; até R$ 15.000, 15% + R$ 1.150; até R$ 20.000, 10% + R$ 1.900; acima disso, 5% + R$ 2.900. O valor fica disponível do 1º dia do mês do aniversário até o fim do 2º mês seguinte.
Se eu for demitido, perco o FGTS? ⌄
Não perde, mas não saca na hora: no saque-aniversário, a demissão sem justa causa paga só a multa de 40% imediatamente. O saldo continua rendendo na conta e você segue sacando as parcelas anuais — ou volta para o saque-rescisão e espera a carência para ter o acesso integral de volta.
Posso voltar para o saque-rescisão? ⌄
Pode, a qualquer momento pelo app FGTS — mas a mudança só vale após 25 meses da solicitação. Durante essa carência, as regras do saque-aniversário continuam valendo. Já a entrada na modalidade tem efeito imediato (ou no 1º dia do mês seguinte, se você já recebeu o saque do ano).
E a antecipação do saque-aniversário que os bancos oferecem? ⌄
É um empréstimo com garantia dos seus próximos saques anuais: o banco adianta vários anos de saque com juros (tipicamente 1,3% a 2% ao mês) e fica com os saques futuros até quitar. Compromete o FGTS por anos e, somada à trava da demissão, é uma das operações que mais geram arrependimento — compare o custo efetivo antes.
O saque-aniversário afeta o uso do FGTS na casa própria? ⌄
Não. Mesmo na modalidade aniversário, o saldo continua disponível para comprar imóvel (entrada e amortização no SFH), e a multa dos 40% na demissão também segue garantida. O que muda é apenas o acesso ao saldo na rescisão.
Quanto rende o FGTS parado? ⌄
TR + 3% ao ano, mais a distribuição de resultados que o Conselho Curador aprova anualmente — nos últimos anos, o total tem ficado na casa de 4% a 6% ao ano. Rende menos que o CDI, o que entra na conta de quem defende sacar e investir; mas a disciplina do dinheiro "intocável" também tem valor.