A reforma tributária (Emenda Constitucional 132/2023, regulamentada pela Lei Complementar 214/2025) substitui cinco tributos — PIS, Cofins, IPI, ICMS e ISS — por um IVA dual: a CBS (federal) e o IBS (de estados e municípios), além do Imposto Seletivo sobre produtos prejudiciais à saúde e ao meio ambiente. A alíquota de referência estimada para o sistema pleno é de 26,5% (CBS 8,8% + IBS 17,7%), com trava legal nesse patamar.
- Alíquota cheia (~26,5%): a regra geral para produtos e serviços;
- Redução de 30% (~18,55%): profissões intelectuais regulamentadas — advogados, contadores, engenheiros, médicos, arquitetos e afins;
- Redução de 60% (~10,6%): saúde, educação, medicamentos, dispositivos médicos, insumos agropecuários, cultura e alimentos para consumo humano (anexos da LC 214);
- Alíquota zero: cesta básica nacional, além de regimes específicos para combustíveis, serviços financeiros e outros.
- 2026 — ano-teste: CBS de 0,9% e IBS de 0,1% aparecem na nota, mas são compensáveis com PIS/Cofins — servem para calibrar o sistema sem aumentar a carga;
- 2027: a CBS entra pra valer e substitui PIS e Cofins; o IPI é zerado (exceto Zona Franca de Manaus) e começa o Imposto Seletivo;
- 2029–2032: o IBS sobe gradualmente enquanto ICMS e ISS são reduzidos na mesma proporção — os dois sistemas convivem;
- 2033: sistema pleno — só CBS + IBS (e o Seletivo, quando couber).
Duas novidades operacionais mudam o dia a dia: no split payment, o imposto é separado e recolhido no momento do pagamento — a empresa nem chega a "segurar" o tributo, o que reduz sonegação e briga por inadimplência. E o cashback devolve parte da CBS/IBS para famílias de baixa renda inscritas no CadÚnico, começando por botijão de gás, energia elétrica, água e esgoto.
Um serviço que hoje custa R$ 1.000 com ISS de 5% e PIS/Cofins de 3,65% embutidos carrega R$ 86,50 de tributos "por dentro" — o valor líquido da operação é R$ 913,50. No sistema pleno, com a alíquota cheia (~26,5%) aplicada "por fora" sobre esse líquido, o preço final iria a cerca de R$ 1.155. Já um profissional liberal com a redução de 30% (~18,55%) chegaria a ~R$ 1.083. É essa conta, com as suas alíquotas, que o simulador faz — e mostramos mais cenários no post reforma tributária na prática.
Os tributos atuais são cobrados "por dentro" (embutidos no preço); CBS e IBS serão "por fora". Para comparar de forma justa, a ferramenta remove do preço atual os tributos embutidos que você informar, chega ao valor líquido da operação e aplica sobre ele as alíquotas novas da sua categoria. O resultado é o preço que manteria a mesma receita líquida para quem vende. É um modelo simplificado: não considera créditos de insumos, Imposto Seletivo, regimes específicos nem benefícios fiscais atuais — use como ponto de partida e valide com seu contador.
O que são a CBS e o IBS? ⌄
São os dois tributos do novo IVA dual criado pela reforma tributária (EC 132/2023, regulamentada pela LC 214/2025). A CBS é federal e substitui PIS, Cofins e IPI; o IBS é de estados e municípios e substitui ICMS e ISS. Juntos, eles unificam cinco tributos sobre o consumo em dois, com regras nacionais únicas e crédito amplo ao longo da cadeia.
Qual será a alíquota da reforma tributária? ⌄
A estimativa oficial para o sistema pleno (2033) é de 26,5% — cerca de 8,8% de CBS e 17,7% de IBS. A LC 214 prevê uma trava: se a soma passar de 26,5%, o governo deve propor cortes de benefícios para reduzi-la. Os valores definitivos serão fixados por resolução do Senado conforme a arrecadação observada na transição.
Quem paga menos: quais setores têm redução? ⌄
Saúde, educação, medicamentos, dispositivos médicos, insumos agropecuários, produções culturais e alimentos destinados ao consumo humano têm redução de 60% da alíquota (efetiva de ~10,6%). Profissões regulamentadas — advogados, contadores, engenheiros, médicos e afins — têm redução de 30% (efetiva de ~18,55%). A cesta básica nacional tem alíquota zero.
O que muda em 2026? ⌄
Em 2026 roda o "ano de teste": CBS de 0,9% e IBS de 0,1% destacados na nota fiscal, mas compensáveis com PIS/Cofins — na prática não há aumento de carga, é um ensaio para empresas e fiscos ajustarem sistemas. PIS e Cofins só são extintos em 2027, quando a CBS entra com alíquota cheia; ICMS e ISS fazem a transição entre 2029 e 2032.
Quem é do Simples Nacional precisa se preocupar? ⌄
O Simples continua existindo e a empresa pode permanecer nele. A novidade é a opção de recolher CBS/IBS "por fora" do Simples para gerar crédito cheio aos clientes — o que pode ser vantajoso para quem vende para outras empresas. Para quem vende ao consumidor final, tende a valer a pena continuar no regime normal do Simples.
O que significa imposto "por fora"? ⌄
Hoje ICMS, ISS, PIS e Cofins são cobrados "por dentro": já vêm embutidos no preço e você não os enxerga. CBS e IBS serão "por fora", como nos EUA e na Europa: a nota mostra o valor do produto e o imposto separadamente. A carga fica transparente — e é por isso que comparar exige remover os tributos atuais do preço antes de aplicar a alíquota nova, como esta simulação faz.
Os preços vão subir com a reforma? ⌄
Depende do setor. Serviços com carga atual baixa (ISS + PIS/Cofins somam ~8,65% no lucro presumido) tendem a ficar mais caros na alíquota cheia. Produtos que hoje carregam ICMS alto e tributação em cascata tendem a ficar estáveis ou mais baratos, porque o crédito amplo do IVA elimina imposto sobre imposto. Cesta básica e setores com redução de 60% tendem a cair.
Esta simulação substitui uma análise contábil? ⌄
Não. É uma estimativa educativa com as alíquotas de referência projetadas e um modelo simplificado (não considera créditos de insumos, regimes específicos, Imposto Seletivo nem benefícios estaduais atuais). Para decisões de precificação e enquadramento, procure um contador com os números da sua operação.