CLT ou PJ: como comparar propostas de verdade (não é só multiplicar por 1,3)
"PJ tem que ganhar uns 30% a mais" é o atalho mais repetido do mercado — e um dos mais imprecisos. Dependendo do salário, dos benefícios e do regime tributário, o fator justo pode ficar bem abaixo ou bem acima disso. Comparar direito exige colocar tudo na mesa.
O que a CLT paga que você não vê
O salário CLT vem acompanhado de um pacote invisível: FGTS de 8% depositado todo mês, 13º salário, férias remuneradas com 1/3, multa de 40% do FGTS em demissão sem justa causa, seguro-desemprego, e frequentemente plano de saúde, vale-refeição e outros benefícios. Somado, esse pacote costuma valer de 35% a 45% além do salário nominal.
O que o PJ paga que ninguém conta
Do outro lado, o faturamento PJ não é renda líquida. Saem dele: o imposto do Simples Nacional (tipicamente 6% a 15,5% em serviços, conforme anexo e faturamento), contador (R$ 200–400/mês), INSS sobre o pró-labore (11% de pelo menos um salário mínimo — que também define sua proteção previdenciária), plano de saúde individual, e as férias que agora são não faturadas: 30 dias parados são 30 dias sem receita. Quem quer manter o mesmo padrão de proteção precisa provisionar tudo isso por conta própria.
O fator que quase ninguém precifica: risco
PJ não tem aviso prévio, multa rescisória nem seguro-desemprego. O contrato pode acabar amanhã. Esse risco tem preço — e ele deve estar embutido na sua taxa. Uma reserva de emergência maior (6 a 12 meses, em vez dos 3 a 6 do CLT) é o mínimo prudente.
Compare com números, não com regra de bolso
O nosso Comparador CLT × PJ faz a conta completa dos dois lados: no CLT, calcula INSS, IRRF, FGTS, 13º e férias; no PJ, o Simples pelo anexo correto, pró-labore, contador e provisões. O resultado mostra o líquido mensal equivalente de cada proposta e o "fator justo" do seu caso específico — que quase nunca é 1,3.